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Perícias02/09/202610 min de leitura

Perícia judicial de engenharia: como garantir um laudo aceito em juízo (NBR 13752)

Eng. Daniel Arruda

Engenheiro Perito | Diretor Técnico

O que separa um laudo que sustenta a decisão do juiz de um documento frágil que não resiste à impugnação: metodologia, nexo de causalidade, ART e aderência à NBR 13752.

Perícia judicial de engenharia: como garantir um laudo aceito em juízo (NBR 13752)

Em disputas que envolvem construção civil, o juiz não decide sobre fissuras, infiltrações ou vícios construtivos por convicção pessoal: decide com base em prova pericial. É o laudo de engenharia que traduz um problema físico da edificação em um fato juridicamente demonstrável. Por isso, a diferença entre ganhar e perder uma ação muitas vezes está na qualidade técnica do laudo — e não apenas no direito discutido.

O que torna um laudo aceito em juízo

Um laudo com validade jurídica não é o mais extenso, e sim o mais bem fundamentado. Ele precisa deixar claro o que foi encontrado, por que ocorreu (o nexo de causalidade) e qual a conclusão técnica, de forma que qualquer engenheiro possa reproduzir o raciocínio. A ausência de metodologia descrita, de registro fotográfico consistente ou de fundamentação normativa é o que torna um documento vulnerável à impugnação da parte contrária.

A NBR 13752 e as normas aplicáveis

A NBR 13752 (Perícias de Engenharia na Construção Civil) estabelece a estrutura e o conteúdo mínimo de um laudo pericial: objetivo, metodologia, diligências, análise, conclusão e anexos. Somam-se a ela normas como a NBR 16747 (inspeção predial), a NBR 14653 (avaliação de bens) e a NBR 15575 (desempenho), além do Código de Processo Civil. Um laudo que dialoga corretamente com essas referências ganha densidade técnica e resistência jurídica.

ART: a assinatura que dá responsabilidade ao documento

Todo laudo pericial deve ser acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA. É ela que vincula o profissional ao trabalho e confere responsabilidade formal sobre as conclusões. Sem ART, o documento perde força probatória e credibilidade perante o juízo.

Quesitos: perguntar certo é meio caminho

Grande parte do resultado de uma perícia se define na formulação dos quesitos — as perguntas técnicas que as partes e o juízo dirigem ao perito. Quesitos vagos produzem respostas inúteis; quesitos precisos direcionam a prova para o ponto que interessa à tese. É aqui que a atuação de um assistente técnico ao lado do advogado faz enorme diferença.

Perito nomeado x assistente técnico

O perito judicial é nomeado pelo juiz e atua com imparcialidade, produzindo o laudo oficial. O assistente técnico é contratado por uma das partes para acompanhar a diligência, elaborar parecer, sugerir quesitos e, quando necessário, apontar falhas no laudo oficial. Contar com um bom assistente técnico não é litigar de má-fé: é garantir que a leitura técnica do caso seja completa e equilibrada.

Conclusão

Um laudo aceito em juízo é aquele que resiste à impugnação porque foi construído com método, norma e responsabilidade. Se você — advogado ou cliente — está diante de uma disputa imobiliária ou condominial, o momento de pensar na prova técnica é antes de o processo esfriar. Antes de assinar, chame um engenheiro — e antes de litigar, garanta que a engenharia esteja do seu lado.

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